Os portos da América Latina estão incorporando tecnologias de telecomunicações, redes privadas e gêmeos digitais para digitalizar processos e melhorar a eficiência de suas operações.
Desde redes privadas 4G–5G e sistemas comunitários portuários (PCS) até gêmeos digitais, as estratégias de digitalização mostram um desenvolvimento diverso e heterogêneo entre os países latino-americanos.
De acordo com um relatório recente da Cepal, apenas um grupo reduzido de portos —entre eles Valparaíso, Kingston, Bridgetown, Buenos Aires e Nassau— conta com PCS plenamente implementados, enquanto a maioria dos países da região permanece em etapas iniciais de concepção, planejamento ou implementação parcial. No caso dos gêmeos digitais, a adoção ainda é incipiente.
Um PCS é uma plataforma eletrônica neutra e aberta que permite a troca de informação entre os atores públicos e privados que participam da cadeia de operações de um porto. Por sua vez, um gêmeo digital é um sistema que possibilita uma representação virtual dinâmica da operação portuária.
O porto de Santos, no Brasil, é um dos mais avançados em matéria de digitalização na região e já conta com uma rede 5G com infraestrutura móvel fornecida pela Nokia. O projeto é resultado de um acordo entre a Nokia, Itaipu Parquetec (PTI), a Itaipu Binacional e a Abdi para oferecer infraestrutura de telecomunicações destinada ao desenvolvimento de aplicações, produtos e dispositivos da indústria 4.0.
Junto com a TIM, a Nokia também implementou uma rede 5G privada para a Brasil Terminal Portuário (BTP), uma das maiores terminais do porto de Santos. O porto continuará avançando na implementação do 5G nos próximos anos.
Desde o final de 2024, além disso, o porto de Santos iniciou a implantação de um gêmeo digital para suas operações marítimas e terrestres, em associação com a PTI. Em dezembro, a Autoridade Portuária de Santos (APS) iniciou uma licitação para contratar uma solução de gestão portuária Port Management Information System (PMIS).
Na Colômbia, no fim de dezembro, Movistar Empresas anunciou a implantação da primeira rede privada LTE de grau industrial em um terminal marítimo do país, o Puerto Antioquia, localizado no sudeste do golfo de Urabá. A solução, também com tecnologia da Nokia, compreende uma rede privada de sete antenas que proporcionam cobertura em um espectro controlado, assegurando a comunicação e o controle dos processos portuários. O porto está projetado para movimentar até 7 milhões de toneladas de carga por ano.
No país, a Sociedad Portuaria Puerto Bahía de Cartagena já implementou junto com a Claro e a Nokia uma rede privada LTE. O Porto de Cartagena também avança em um projeto de gêmeos digitais com a TYPSA Digital Solutions, iniciado em 2024 e com data de conclusão estimada para 2027. O objetivo é integrar diferentes ferramentas em um único ambiente centralizado, facilitando o acesso a dados, modelos e o controle de ativos.
No Chile, a Nokia foi selecionada em 2022 pela San Antonio Terminal Internacional (STI) para a instalação de uma rede LTE. Segundo a Cepal, o porto também avança na implementação de uma plataforma digital que integra gêmeos digitais e inteligência artificial, com o objetivo de consolidar em um único ambiente digital áreas como operações, manutenção, energia, segurança e controle de acessos.
Por sua vez, o Puerto de Valparaíso tem explorado ativamente alternativas de inovação tecnológica por meio de visitas técnicas a portos líderes da China, como Yangshan em Xangai e Ningbo, de acordo com a Cepal.
O operador portuário Iquique Terminal Internacional (ITI) também contava com um projeto de rede privada LTE.
Cepal também destaca que o Porto do Callao, no Peru, constitui “um dos casos mais avançados de implementação de gêmeos digitais na região”. No Terminal Norte Multipropósito foi desenvolvido um gêmeo digital por meio da metodologia BIM, que incorpora informações detalhadas sobre instalações, especificações técnicas e manutenção.
Além disso, o porto de Chancay incorporou uma plataforma integrada de “energia + gêmeo digital”, desenvolvida pela COSCO Shipping em colaboração com a Universidade Marítima de Xangai, que permite representar todas as entidades vinculadas às operações portuárias e estabelecer um marco de análise para a gestão energética e a eficiência operacional.
(A versão original deste conteúdo foi redigida em espanhol)



