Data centers devem impulsionar avanço da inteligência artificial na América Latina, aponta Moody’s – Portal IN – Pompeu Vasconcelos

Data Center

O Brasil lidera esse mercado ao concentrar 49% da capacidade instalada da região. Em seguida aparecem o México, com 27%, e o Chile, com 9%

A expansão da infraestrutura de data centers será um dos principais fatores para acelerar a adoção da inteligência artificial (IA) na América Latina nos próximos anos. A avaliação é da Moody’s Ratings, que destaca o potencial da região para crescer no setor, mas alerta que desafios relacionados ao fornecimento de energia, à capacidade das redes elétricas e ao licenciamento de projetos ainda podem limitar esse avanço.

Segundo relatório divulgado pela agência de classificação de risco, a América Latina iniciou 2026 com aproximadamente 2.340 megawatts (MW) de capacidade instalada em data centers. O segmento mantém um ritmo de expansão entre 15% e 20% ao ano, impulsionado pelo aumento da demanda por processamento de dados e aplicações de inteligência artificial.

O Brasil lidera esse mercado ao concentrar 49% da capacidade instalada da região. Em seguida aparecem o México, com 27%, e o Chile, com 9%, consolidando os três países como os principais polos latino-americanos para infraestrutura digital.

Apesar da oferta abundante de fontes renováveis de energia, a Moody’s observa que a disponibilidade de eletricidade confiável nos locais onde novos empreendimentos serão instalados representa hoje o principal desafio para o setor. Os centros de processamento voltados para inteligência artificial podem demandar dezenas de megawatts cada um, consumo comparável ao de grandes plantas industriais, pressionando redes elétricas que, em muitos casos, não foram dimensionadas para suportar esse volume de carga.

Diante desse cenário, a agência projeta aumento da necessidade de investimentos por parte das concessionárias de energia, tanto na ampliação da geração quanto na expansão das redes de transmissão e distribuição. Ao mesmo tempo, riscos de execução, limitações regulatórias e restrições tarifárias podem reduzir o retorno financeiro desses projetos.

Para contornar os obstáculos, empresas responsáveis pela construção de data centers vêm adotando estratégias como a diversificação das localidades dos empreendimentos, sistemas de resfriamento em circuito fechado e acordos de longo prazo com concessionárias de energia. Embora essas iniciativas reduzam riscos operacionais, elas também elevam os custos de implantação e ampliam o prazo para entrada em operação das instalações.

O relatório também aponta que os impactos da inteligência artificial vão além da infraestrutura tecnológica. No setor de bebidas, a tecnologia tende a otimizar a gestão das cadeias de distribuição e o uso de dados para tomada de decisões. Já na indústria de alimentos e bens de consumo embalados, os maiores ganhos são esperados nas áreas de previsão de demanda, compras e planejamento da produção.

No segmento financeiro, a Moody’s avalia que a IA fortalecerá a competitividade de grandes instituições já consolidadas. Bancos como Itaú Unibanco, Banco Bradesco e Banco de Crédito del Perú são citados como exemplos de organizações que tratam a inteligência artificial como um recurso estratégico para ampliar a personalização de serviços, aumentar a eficiência operacional e melhorar a experiência dos clientes.

Para a agência, o crescimento dos data centers será determinante para sustentar a próxima fase de expansão da inteligência artificial na América Latina, desde que os investimentos em infraestrutura energética acompanhem o avanço da demanda digital.

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