Ativistas da Liga Anti-imperialista Internacional (LAI) – Núcleo Brasília encerraram, no dia 26 de outubro, as atividades da Campanha Continental com uma intervenção na Praça do Reggae, no bairro Vila Nova, em São Sebastião, periferia do Distrito Federal (DF). Durante o ato, os militantes distribuíram panfletos, conversaram com moradores e realizaram uma brigada de vendas da edição impressa n.º 262 de AND, denunciando a ingerência do país Estados Unidos (EUA) na farsa eleitoral brasileira e a atuação da extrema direita.
A atividade encerrou uma sequência de mobilizações realizadas ao longo do mês de outubro, que passaram por Sobradinho II, Ceilândia e Taguatinga. A campanha atendeu à convocatória da comissão internacional da LAI, lançada em 1º de outubro, para uma jornada continental de luta entre os dias 12 e 27, reunindo dezenas de organizações democráticas da América Latina sob a palavra de ordem “Fora ianques da América Latina!”.
Ações em Sobradinho II, Ceilândia e Taguatinga denunciam o imperialismo e convocam o boicote eleitoral
A programação teve início em 10 de outubro, com um estudo aberto realizado em Sobradinho II, na periferia do DF. A reunião reuniu ativistas para discutir a situação política nacional e internacional e preparar as intervenções previstas para as semanas seguintes. Como parte das atividades, os militantes também gravaram um vídeo denunciando o assédio e a ingerência do EUA na América Latina, divulgado em 13 de outubro no Instagram da organização.
No dia seguinte, 14 de outubro, os ativistas realizaram uma intervenção política nas proximidades da Estação Ceilândia Centro, região marcada por um histórico de lutas operárias e populares. A atividade contou com a participação de militantes do Coletivo de Base Honestino Guimarães (CBHG), do Movimento Feminino Popular (MFP) e do Comitê de Apoio ao AND.
Durante o ato, foi instalada uma banca ao lado da estação de metrô, onde os militantes distribuíram panfletos, venderam exemplares do jornal e conversaram com trabalhadores, ambulantes e estudantes. Os manifestantes denunciaram a subordinação da extrema direita aos interesses do imperialismo ianque, criticaram a atuação da falsa esquerda e convocaram o boicote à farsa eleitoral, apresentada pelos ativistas como instrumento de legitimação da velha democracia de burgueses e latifundiários.
As conversas também revelaram o descontentamento de moradores com o quadro político e com a ausência de mudanças nas condições de vida. A aposentada Lurdes, de 62 anos, afirmou que mantém seu voto “por raiva”, diante da falta de transformações durante o governo de Luiz Inácio (PT). “Nenhum presta, todos querem encher o bolso de dinheiro e ajudar os poderosos”, declarou.
Outro morador, Cláudio, manifestou sua indignação com a ingerência norte-americana. “O galego [Trump] não sabe onde tá se metendo”, afirmou, acrescentando que “o povo tá pegando raiva deles”.

Em Brasília, Liga Anti-imperialista denuncia intensificação da intervenção dos EUA na América Latina – A Nova Democracia
Ativistas realizaram intervenção na Estação Ceilândia Centro como parte da Campanha Continental de Luta convocada pela LAI e denunciaram a ingerência ianque no Brasil e nos demais países latino-americanos.
A programação prosseguiu em 22 de outubro, com uma reunião aberta na Rede Cidadã de Taguatinga (Recita). O encontro deu continuidade às discussões iniciadas desde a fundação do Núcleo Brasília, em setembro, durante uma plenária realizada na Universidade de Brasília (UnB).
Na reunião, os participantes aprofundaram as denúncias contra a farsa eleitoral e a ingerência norte-americana, destacando as ameaças às nações oprimidas da América Latina e a perseguição a organizações revolucionárias, como a Liga dos Camponeses Pobres (LCP), no Brasil. A defesa do boicote eleitoral integrou a campanha realizada pelos militantes ao longo do mês.
Atividade de agitação e mobilização da Liga Anti-imperialista no Distrito Federal. (Foto: AND)
Ato em São Sebastião encerra campanha continental
A última atividade ocorreu em 26 de outubro, na Praça do Reggae, em São Sebastião. Mesmo após a conclusão do segundo turno da farsa eleitoral, os militantes mantiveram a intervenção prevista no calendário e percorreram a praça conversando com trabalhadores, jovens e pequenos comerciantes.
Durante a panfletagem, moradores manifestaram insatisfação com as dificuldades enfrentadas diariamente e com a falta de mudanças efetivas em suas condições de vida. Nas abordagens, os ativistas criticaram as medidas consideradas demagógicas e superficiais do velho Estado e defenderam a organização popular diante do agravamento dos problemas sociais.
Um representante da LAI afirmou que o encerramento do processo eleitoral não significa o fim das ameaças denunciadas pela organização.
“A extrema direita não desaparece com o resultado das urnas. Os movimentos populares já sinalizam uma agitação golpista dos reacionários, com o oportunismo abaixando a guarda. Precisamos continuar mobilizando para denunciar o avanço da extrema direita e a ingerência ianque. Precisamos levantar alto a bandeira da soberania, da combatividade e da necessidade de uma revolução em nosso país.”
A brigada de vendas da edição n.º 262 de AND também integrou o trabalho de agitação realizado na praça. Segundo os organizadores, a recepção dos moradores foi positiva, especialmente entre trabalhadores, jovens e comerciantes que acompanharam as denúncias e participaram das conversas.

‘Fora ianques da América Latina!’: Liga Anti-imperialista convoca campanha continental contra intervenção do EUA – A Nova Democracia
Ações estão convocadas entre 12 e 27 de outubro em todo o continente; declaração relaciona presença militar, acordos de “segurança”, sanções, pressão eleitoral e disputa por recursos estratégicos ao reforço da dominação ianque na América Latina.
São Sebastião enfrenta precariedade de moradia, transporte e serviços públicos
O encerramento da campanha em São Sebastião ocorreu em uma das regiões administrativas do DF marcadas por graves problemas de infraestrutura e desigualdade social. O Distrito Federal apresenta índice de Gini de 0,570, enquanto São Sebastião, com população estimada em 129.438 habitantes em 2026, reúne cerca de 4% da população da capital.
A região enfrenta problemas históricos de acesso à saúde, educação e transporte. O crescimento populacional não foi acompanhado pela expansão dos serviços públicos, resultando em bairros sem pavimentação, superlotação escolar e dependência de professores temporários.
A precariedade habitacional também atinge a região. Segundo dados do Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal (IpeDF) citados na matéria, o déficit habitacional chega a 100.701 residências em todo o DF, afetando aproximadamente 10% das famílias. Em São Sebastião, o elevado custo dos aluguéis e a falta de políticas habitacionais contribuem para a expansão de moradias precárias, frequentemente chamadas de “invasões”.
A extrema pobreza atinge especialmente a população negra e as mulheres, responsáveis por 58,5% dos lares em situação de vulnerabilidade.
O desemprego oscila entre 7,8% e 10% da população economicamente ativa. Cerca de 58% dos moradores com mais de 14 anos trabalham no setor privado de comércio e serviços, frequentemente em ocupações de baixa qualificação e condições precárias. A falta de empregos e de vagas escolares na própria região obriga mais da metade dos trabalhadores e estudantes a utilizar diariamente o transporte público rodoviário para chegar às áreas centrais ou às regiões vizinhas.
As dificuldades de moradia, transporte, emprego e acesso aos serviços públicos estiveram entre os problemas discutidos nas conversas realizadas durante a intervenção.

DF: No topo da concentração de renda, Brasília é o espelho da desigualdade nacional – A Nova Democracia
Os indicadores revelam que os 10% da população com maiores rendimentos no DF receberam, em média, R$ 18.575 por pessoa em 2025, um valor 19,7 vezes maior do que o rendimento médio dos 40% mais pobres.
Campanha denuncia ingerência dos EUA e agitação da extrema direita
Ao longo das mobilizações, os ativistas denunciaram a política norte-americana para a América Latina, relacionando-a à reativação da Doutrina Monroe e à Estratégia de Segurança Nacional dos EUA. Segundo a avaliação apresentada pela organização, Washington busca ampliar seu controle sobre minérios estratégicos e fontes de energia, além de conter a influência de concorrentes internacionais, como China e Rússia.
No Brasil, os militantes apontaram as sanções norte-americanas contra integrantes do Judiciário e os exercícios militares conjuntos na Amazônia, como as operações Tápio 2026 e Formosa 2026. A campanha também repercutiu denúncias de que o fechamento temporário da embaixada e de consulados dos EUA, no início de outubro, estaria relacionado a Operações Militares de Apoio à Informação (MISO), atribuídas em informes de inteligência ao Comando Sul ianque.

Se contrariar a interferência ianque, o resultado eleitoral ‘será questionado’, advertiu diretor-geral de AND – A Nova Democracia
A operação do governo Trump em favor do clã Bolsonaro e a convocação de Flávio para concentrar sua base fanatizada nos colégios eleitorais dão novos desdobramentos à ofensiva denunciada por AND. No A Propósito #377, o representante do jornal já havia explicado o uso das urnas como chancela da intervenção e defendido o incremento do protesto popular.
As denúncias ganharam novo destaque após as declarações de Donald Trump sobre o segundo turno das eleições brasileiras, realizado em 25 de outubro. Depois de o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, anunciar a vitória de Luiz Inácio com 51,79% dos votos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro, Trump questionou o resultado sem apresentar provas: “Eu não tomei partido, mas pareceu mais uma eleição fraudada”.
Para os militantes da LAI, as declarações reforçam as denúncias de ingerência norte-americana e o risco de novas ações de desestabilização, em meio às críticas ao apaziguamento do governo brasileiro diante do Alto Comando das Forças Armadas (ACFA).
Com o encerramento das atividades no DF, o Núcleo Brasília reafirmou a continuidade das mobilizações contra a ingerência dos EUA, a extrema direita e a perseguição aos movimentos populares. A organização defende a independência política dos trabalhadores, a soberania nacional e a continuidade dos protestos no campo e nas cidades, vinculando essas lutas à perspectiva da Revolução Agrária e Democrática já em curso no País.

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