Os artigos da equipa do PÚBLICO Brasil são escritos na variante da língua portuguesa usada no Brasil.
Acesso gratuito: descarregue a aplicação PÚBLICO Brasil em Android ou iOS.
Quando decidiu permanecer em Portugal, após um breve retorno ao Brasil, há três anos, o engenheiro de software Wilson Hermes Jacoud Júnior, carioca, não imaginava que a trajetória iniciada num período de dúvidas — noites sem dormir e madrugadas de estudo — o colocaria no centro de uma empresa voltada à transformação digital de outras organizações. “A dificuldade é que nos faz crescer. Em Portugal, fui me tornando uma nova pessoa, mais forte”, afirma.
A jornalista Lívia Gameiro, também carioca, trilhou caminho semelhante. Chegou com a família a Portugal, há dois anos e meio, em busca de tranquilidade e equilíbrio e encontrou um ambiente multicultural e desafiador. “Olho para trás e digo que valeu a pena”, diz ela, que, como Wilson, trabalha na LTPlabs. “A empresa percebe valor no que faço e isso me motiva todos os dias”, acrescenta a responsável pela área de comunicação e marketing da firma.
A brasileira Lívia Gameiro diz que encontrou em Portugal um ambiente multicultural e desafiador
Sérgio Nascimento
As duas histórias refletem o movimento mais recente da LTPlabs, consultoria portuguesa especializada em inteligência artificial (IA), que completou 10 anos em 2025 e acelera sua expansão para fora da Europa, especialmente, a partir do Brasil.
A LTPlabs nasceu de uma percepção dos então pesquisadores da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, Luís Guimarães, Bernardo Almada Lobo e Pedro Amorim. Em 2015, os três identificaram que o mercado português utilizava tecnologia muito aquém do potencial disponível.
“O trabalho que fazíamos estava muito à frente daquilo que as empresas utilizavam na prática”, recorda Luís Guimarães. “No início, nem falávamos em inteligência artificial. Usávamos expressões como analítica avançada ou métodos baseados em dados para tomada de decisão”, ressalta.
Acesso democratizado
O cenário mudou nos últimos três anos, impulsionado pelo avanço da IA generativa. “A IA generativa democratizou o acesso. Hoje, não é preciso ser especialista para interagir com essas tecnologias”, afirma o co-fundador.
Um dos fundadores da LTPlabs, Luís Guimarães, especialista em inteligência artificial, afirma que o escritório de São Paulo é estratégico para a empresa
Sérgio Nascimento
A empresa presta consultoria baseada em IA para otimizar decisões de negócio. O trabalho abrange eficiência comercial, identificando clientes com maior potencial de compra; eficiência operacional, incluindo planejamento de produção e desenho de cadeias de abastecimento; e automatização de processos corporativos em áreas como atendimento, finanças e contabilidade. “Nosso produto é a capacidade de colocar a IA a serviço do negócio”, resume Guimarães.
A empresa tem hoje 80 clientes de diferentes setores — consumo, varejo, indústria, energia, telecomunicações —, reunindo conhecimento técnico e experiência em múltiplos mercados.
Com 120 colaboradores de diversas nacionalidades, incluindo portugueses, sete brasileiros e profissionais de México, Filipinas e Bielorússia, o projeto cresce, em média, 20% ao ano, segundo o executivo, e trabalha em modelo híbrido, com equipes no Porto, Lisboa, São Paulo e em vários países. “Trabalhar com tecnologia permite que não se esteja fisicamente nos centros de decisão”, explica Guimarães.
A relação com o Brasil é histórica. Ele próprio estudou no país, assim como colaboradores que passaram por universidades brasileiras. Esse vínculo abriu portas para a expansão. “O Brasil tem empresas de grande dimensão e desafios muito interessantes para aplicar o que fazemos”, afirma o co-fundador.
Para o carioca Wilson Júnior, engenheiro de software, trabalhar em Portugal o deixou mais forte
Sérgio Nascimento
O escritório de São Paulo é hoje uma aposta estratégica. A empresa, que tem clientes em países como Suíça, Filipinas, México, Estados Unidos e no Oriente Médio, planeja avançar apoiada na IA generativa e na expansão para a América Latina a partir do Brasil, contratando profissionais locais e também enviando especialistas portugueses para fortalecer a operação.
Aprendizado maior
O carioca Wilson chegou a Portugal há seis anos e meio. Com formação inicial em engenharia elétrica e uma década de experiência como engenheiro de áudio no Brasil, decidiu mudar de área e cursou engenharia informática no Porto. Depois de quatro anos atuando no setor de saúde, ingressou na LTPlabs há pouco mais de um mês.
“O trabalho com IA é muito estimulante. Me sinto impulsionado a aprender mais”, afirma. Para ele, a adaptação cultural em Portugal também moldou sua trajetória. “Se souber extrair a parte boa das diferenças, cresce mais rápido”, destaca.
Lívia vive em Aveiro e trabalha no escritório de Matosinhos (Porto). “Nosso site era apenas em inglês, hoje, temos versões em português europeu e português do Brasil. Isso aproxima a empresa do público brasileiro”, explica. Para ela, a resiliência brasileira é uma vantagem competitiva. “O brasileiro vê um problema e busca soluções. Essa capacidade humana de adaptação é um diferencial na era da IA”, finaliza.
App PÚBLICO Brasil
Uma app para os brasileiros que buscam informação. Fique Ligado!
![]()
![]()



