Publicidade no futebol: financeiro e apostas puxam o crescimento na América Latina; no Brasil, apostas recuam

Publicidade no futebol: financeiro e apostas puxam o crescimento na América Latina; no Brasil, apostas recuam


Redação Tribuna do Norte

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31 de outubro de 2026
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17h00

Na América Latina, financeiro e apostas puxam o crescimento, a alimentação sobe e imobiliário e automotivo se mantêm. No Brasil, apostas recuam, e alimentação, imobiliário e automotivo crescem. Foto: TN

Quais setores avançam nas camisas brasileiras enquanto as casas de apostas recuam? O que mudou, em dois anos, nos clubes dos países vizinhos? E o que em 2024 era “ainda não aqui” virou em 2026? Essas perguntas fazem parte do dia a dia de quem busca oportunidades de patrocínio ou prospecta acordos para o clube.
Desde 2018, o estudo “Por que não aqui?” mapeia as marcas que patrocinam o futebol na América Latina, mas não no Brasil. A edição de 2026 compara 66 clubes relevantes de dez mercados (Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, México, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela) com os 20 clubes da Série A do Brasileirão.

O retrato mostra dois ritmos. Na América Latina, os setores se consolidam e crescem de forma gradual. No Brasil, o ranking se reorganiza, e seis setores têm hoje 10 ou mais contratos, contra três em 2024. Por serem bases menores, as variações percentuais brasileiras são mais intensas.

Há também uma convergência. Em 2024, os cinco maiores setores da região e do Brasil tinham três em comum (Financeiro, Apostas e Alimentação). Em 2026, os dois rankings passam a ter os mesmos cinco setores, em ordens diferentes.

Entre os principais clubes da América Latina, os cinco setores com mais contratos são: 1º Financeiro, 2º Apostas Esportivas, 3º Imobiliário, Construção e Acabamentos, 4º Alimentação e 5º Automotivo. Juntos, representam 42% dos contratos.

Na Série A, a ordem é: 1º Financeiro, 2º Alimentação, 3º Apostas Esportivas, 4º Imobiliário, Construção e Acabamentos, e 5º Automotivo, empatado com Saúde, ambos com 10 contratos. O empate esconde trajetórias opostas: o Automotivo foi o setor que mais cresceu no período (de 1 para 10 contratos), enquanto a Saúde segue em declínio (24 em 2022, 13 em 2024, 10 em 2026). Juntos, os cinco primeiros representam 48% dos contratos.

  • Marcas de segmentos de destaque que patrocinam camisas na América Latina, mas não aparecem hoje nos uniformes da Série A:

Automotivo
Há uma variedade de marcas com presença no mercado brasileiro que patrocinam clubes na região, mas não aqui. O México concentra a maior variedade (Suzuki, Chery, JAC, MG, Howo e Mazda), sinal de um segmento aquecido nesse mercado. Também aparecem Jetour, Hyundai, GWM e DFSK no Peru, Hyundai e Kia no Paraguai, Jetour e Chery no Chile, Chery e MG na Colômbia, Jetour na Bolívia e Fiat na Venezuela. Na Argentina, aparece ainda a Bajaj Motors, montadora de motos.

Financeiro
BBVA (México e Uruguai), que também atua no Brasil, e bancos de atuação local, como o Banco Pichincha (Equador) e o Bank of Palestine (Chile), há muito tempo patrocinadores de futebol. A TW, seguradora de viagens presente no Uruguai, na Colômbia e no México, complementa o setor.

Imobiliário e construção
A Sodimac (Chile, terra natal da rede varejista) patrocina desde as primeiras divulgações do estudo, em 2018, e tem presença relevante no mercado brasileiro, mas nunca esteve nas camisas dos clubes daqui. Na Argentina, a Holcim, fabricante internacional de cimentos, é outro exemplo do segmento que patrocina clubes na região, mas não os brasileiros.

Alimentação
KFC (Equador) e Bimbo (México), marcas importantes e com larga presença no mercado brasileiro.

Bebidas não alcoólicas
Gatorade (Equador), Powerade (Bolívia), Coca-Cola (México e Paraguai), Pepsi (Venezuela) e Postobón (Colômbia), marcas de peso, a maioria com atuação massiva no Brasil. É um setor sustentável na região, com muitos patrocínios de longa data.

Telecomunicações
Telcel (México), Claro (Colômbia), Movistar (Peru), Antel (Uruguai), Tigo (Paraguai) e DirecTV (Equador, Chile, Argentina e Uruguai) sustentam a relevância do setor na região, mas com baixíssima presença em patrocínio aos clubes brasileiros atualmente.

Bebidas alcoólicas
Cervejas com forte afinidade cultural com cada mercado: Corona e Tecate (México), Águila (Colômbia), Pilsener (Equador), Paceña (Bolívia), Pilsen (Paraguai) e Maltín (Venezuela). A legislação e a autorregulamentação mais permissivas incentiva que essas marcas patrocinem a camisa dos clubes. Muitas não atuam no Brasil, e o destaque é a relevância do setor na região.

Fitness
Smart Fit (México, Colômbia e Chile) é a principal representante da categoria. No Brasil, onde o setor é muito aquecido, só o Botafogo tem patrocínio da categoria.

Aviação
Aerolíneas Estelar e Rutaca (Venezuela), Viva (México), Sky e JetSMART (Peru) e Ecojet (Bolívia), um segmento presente na região e pouco explorado no Brasil.

Atuam aqui, mas não lá
Marcas com atuação concentrada ou exclusiva no mercado brasileiro, que estão entre as mais presentes na Série A, mas não patrocinam clubes na região: Ademicon (consórcios), Banco BMG (bancos), Viva Sorte (capitalização), Unimed (saúde), Supermercados BH (varejo) e Zé Delivery (delivery) patrocinam três ou mais clubes e a Cimed (farmacêutico) com duas equipes estão entre as mais relevantes. São referências de marcas que concentram suas atuações e seus investimentos de patrocínio no Brasil.

  • Os principais setores na América Latina e a comparação com o Brasil
  1. Financeiro: segue na liderança nos dois cenários
    América Latina. O setor cresceu 8% em relação a 2024 e soma 67 contratos de 44 marcas únicas. Bancos e seguradoras concentram 76% do volume do setor. Os bancos lideram, com 29 contratos, com destaque para o BBVA (três equipes, entre México e Uruguai) e o Uenobank (três equipes, no Paraguai). As seguradoras somam 22 contratos, presentes em seis equipes argentinas, quatro mexicanas e três na Colômbia e na Bolívia, cada.

Brasil
O setor também lidera e cresceu 45%, de 20 para 29 contratos, o maior volume da série. É mais diverso em categorias: Banco BMG (quatro equipes), Ademicon, de consórcios (quatro) e Viva Sorte, de capitalização (três). O seguro viagem, forte na região, só aparece no Flamengo, com a Assistcard.

  1. Apostas Esportivas: sobem na região e recuam no Brasil

América Latina. São 50 contratos, 22% a mais que os 41 de 2024, após estabilidade entre 2022 e 2024, e o setor ganhou duas posições. 71% dos 66 clubes têm patrocínio de casas de apostas ou loterias (clubes com dois contratos foram contados uma vez). Bolívia e Uruguai são exceções: na Bolívia, a regulamentação não permite a operação, e no Uruguai a Supermatch opera sob concessão do Estado, sem registro de patrocínio nas camisas.

Brasil. São 14 contratos, 18% a menos que os 17 de 2024, e o setor perde uma posição e fica em terceiro lugar. Em setembro de 2026, antes da MP nº 1.394/2026, que proibiu a exploração e a publicidade das apostas de quota fixa, 14 dos 20 clubes (70%) tinham contrato, totalmente em linha com a região, onde 7 em cada 10 clubes têm esse tipo de patrocinador. Importante notar que ao longo de 2025, todos os clubes da Série A tiveram contrato com casas de apostas em algum momento, com 18 marcas diferentes no total.

  1. Imobiliário, Construção e Acabamentos: estabilidade na região, retomada no Brasil
    América Latina. São 47 contratos, contra 46 em 2024, na terceira posição. É uma estabilidade que vem depois do salto de 30 para 46 contratos entre 2022 e 2024.
    Brasil. O movimento é de retomada: de 3 contratos em 2024 para 11 em 2026 (+267%), com cinco posições ganhas. O setor tinha 20 contratos em 2022 e agora volta com fôlego renovado.
  2. Alimentação: crescimento consistente nos dois mercados
    América Latina. O setor cresceu 13% e soma 44 contratos (32 em 2022, 39 em 2024), com duas posições ganhas.
    Brasil. A alimentação é hoje o segundo maior setor, com 16 contratos, contra 9 em 2024 e 6 em 2022 (+78% no último período). Avançou duas posições e superou as casas de apostas.
  3. Automotivo: estável na região, o maior salto do Brasil
    América Latina. São 41 contratos, 11% a menos que em 2024, com queda de três posições, mas ainda no top 5. É o mesmo volume de 2022, o que indica estabilidade.
    Brasil. Era o símbolo do “ainda não aqui” em 2024, com uma única marca na Série A, e passa a 10 contratos, com dez posições ganhas. O movimento é puxado por montadoras de híbridos e elétricos: BYD (Bahia e Corinthians), Leapmotor (Palmeiras), GAC (Flamengo) e uma concessionária GWM (Chapecoense). Empata com a Saúde na quinta posição, mas com a trajetória oposta.

Outros movimentos
Saúde: em declínio nos dois cenários
Brasil. São 10 contratos (24 em 2022, 13 em 2024), empatados com o Automotivo na quinta posição, mas em perda de presença desde o auge da pandemia.
América Latina. O setor está em décimo lugar, com 23 contratos, contra 26 em 2024.

Movimentos de aquecimento
As bebidas não alcoólicas são o principal destaque em crescimento. Ganharam três posições e avançaram 52% entre 2024 e 2026, de 23 para 35 contratos. Na região, 43% dos contratos são de isotônicos e 26% de refrigerantes, o que mostra um mercado ativo de isotônicos entre os principais clubes. No Brasil, a categoria é praticamente inexistente nas camisas.

O varejo também sobe: ganhou duas posições na região e cresce de forma constante (14, 18 e 26 contratos). No Brasil, está em sétimo lugar, com 9 contratos, contra 5 em 2024.
América Latina: destaque pelo contraste com o Brasil

As bebidas alcoólicas ocupam o nono lugar na região, então o destaque não está no volume, mas na presença relevante que contrasta com a baixíssima participação no Brasil. Em países como Colômbia, Peru, Bolívia e Equador, cervejarias importantes patrocinam clubes locais. No Brasil, o setor está sujeito a recomendações de autorregulamentação, e por isso as marcas tendem a preferir ações periféricas, como conteúdo digital e outros ativos, a investir especificamente nas camisas dos uniformes.

Os registros nos clubes brasileiros hoje são pontuais: Brahma 0.0 (Fluminense e Flamengo), Dalla (Chapecoense) e, no Brasileirão Feminino A1, Estrella Galicia 0.0 (Ferroviária).

América Latina: segmento em retração
A Telecom recuou 13%, de 39 para 34 contratos, e caiu duas posições (sétimo lugar). É um setor pouco explorado nas camisas brasileiras.

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